PARTE 1

A notícia da contratação do desconhecido
Chris Hemsworth para o papel título do filme
Thor, trás algumas dúvidas em relação ao direcionamento sendo dado pela
Marvel para os seus novos filmes.
Boatos diziam que o astro hollywoodiano
Brad Pitt já estaria contratado para o papel de
Thor desde o ano passado, e que os outros possíveis atores considerados para o papel eram apenas para esquentar o assunto na mídia, a produtora estaria preparando o terreno para o anuncio bombástico do Mr.
Angelina Jolie como o deus nórdico.

Nos papéis de
Jane Poter e
Loki, estariam,
Natalie Portman e
Cillian Murphy (o Espantalho de
Batman Begins). O único problema era escolher um ator à altura de interpretar Odin, pai de
Thor que o envia para o planeta Terra a fim de ensinar-lhe uma lição.

Outro boato dizia que
Matthew McConaughey já estaria contratado para opapel de
Capitão America no filme
The First Avenger: Captain America. Mas depois disso o próprio ator desmentiu estar na super produção e, ainda, não há outro ator que estaria escalado para interpretar o líder dos
Vingadores.
Grandes astros liderarando os filmes da
Marvel. Esta era a idéia.
Quando ouvi esses boatos dei crédito, e combinava com o direcionamento da
Marvel em suas duas primeiras produções:
Homem-de-Ferro trouxe
Robert Downey Jr.,
Jeff Bridges,
Gwyneth Paltrow,
Samuel L. jackson e
Terrence Howard.

A sequencia do filme,
Homem-de-Ferro 2, corre com os recém ingressos
Don Cheadle,
Mickey Rourke,
Sam Rockwell e
Scarlett Johansson.

Enquanto
O Incrivel Hulk, dirigido por
Louis Leterrier, veio com
Edward Norton,
Liv Tayler,
Tim Roth e
Willian Hurt.

O direcionamento de trazer grandes nomes no elenco parece ter ficado de lado. Pelo menos no caso da produção de
Thor. No meio de tantos boatos e rumores o único fato concreto é que as pessoas e a mídia gostam de ver atores importantes interpretando personagens pop como este.
O que seria melhor para a mídia e para a
Marvel: ter
Brad Pitt, indicado ao Oscar e uma celebridade que se mantêm em cena a tanto tempo ou
Chris Hemsworth, que está a tão pouco tempo em produções e nunca esteve em um papel principal em um filme, para protagonizar
Thor? Nomes importantes como as estratégias, fórmula usada em
Homem-de-Ferro e
O Incrível Hulk, ajudaram muito estes filmes a se tornarem mais populares.
Outra parte da história está relacionada aos boatos de que o
Thor usado nesta adaptação com
Brad Pitt seria, basicamente, o criado na série de quadrinhos
Ultimates (de
Mark Millar e
Bryan Hitch -
Supremos no Brasil), com uma ou outra influência do personagem tradicional da
Marvel, como a enfermeira
Jane Poter, par romântico de
Thor nos quadrinhos originais (que também aparece em
Ultimates em uma versão um pouco diferente) e também o
Dr. Donald Blake, alter-ego de
Thor quando enviado à Terra (que não existe na versão
Ultimate).
Esta junção entre o conceito
Ultimate e o tradicional foi um recurso, também, usado pela
Marvel nos
blockbusters Homem-de-Ferro e
O Incrível Hulk.

Minha imaginação começou a trabalhar e tentei prever como os roteiristas deveriam estar construindo o primeiro tratamento do roteiro de
Thor na hipótese de ser interpretado por
Brad Pitt: Aos 12 anos,
Donald Blake descobre que é “deus feito homem”... a encarnação de
Thor, o deus nórdico do trovão, enviando por Odin, para purificar a terra – como dito no material
Ultimates.
Ele se torna médico e aos 30 anos, depois de um colapso nervoso, é internado em um hospício.
Thor tem seu primeiro contato com o pai e sai do hospício ao receber seus poderes. Na minha versão tanto
Blake quanto
Thor seriam interpretados por
Brad Pitt, e não teríamos a bengala (usada nos quadrinho original por
Donald Blake) que ao ser batida no chão se transformaria em Mjolnir – o Martelo de
Thor. Mas enquanto não recebe seus poderes,
Blake poderia mancar de uma perna, não poderia?
O filme começaria mostrando este passado usando recursos de
flash back, e já iniciaria com
Thor como uma personalidade mundial, considerado louco por alguns, mas seguido como um messias por outros. De qualquer maneira, ninguém conseguia explicar de onde vinham todos seus poderes.


O interessante no filme seria mostrá-lo como um louco potencial, que acredita ser um deus, “ganha fortunas com turnês de palestras e livros de alto ajuda” como em
Ultimates, um homem que doa todo seu dinheiro a obras de todo tipo, vive entre seus fiéis, conversando com seres mitológicos que apenas ele vê, que já foi internado em um hospício e fala mal de corporações, estruturas de governo e do modo consumista de levar a vida em nosso mundo moderno. Acho que este tipo de personagem cairia como uma luva para
Brad Pitt, é só lembrarmos dele como o
Jeffrey Goines de
Os Doze Macacos, ou
Tyler Durden de
Clube da Luta.
Este
Thor me parece bem mais relevante e interessante que o tradicional, além de estar melhor integrado aos filmes da
Marvel em termos de contextualização. Mas, os fãs do personagem não acham. A maioria quer
Thor ao estilo
Senhor dos Anéis, e isso é compreensivel, afinal esta é mais ou menos a linha seguida nos quadrinhos tradicionais e, assim o filme seria mais fiel ao personagem e seus fãs. Além disso, muitos defendem que é justamente esta diferenciação em termos de conceito, em comparação a outros personagens da
Marvel que torna o personagem interessante; um guerreiro viking que fala estranho no meio de todos estes outros personagens mortais.

No filme de
Brad Pitt, Asgard não apareceria, e se aparecesse, seria mostrada com um tratamento fotografico e direção de arte diferentes, como algo não real. Sugerindo sonho, algo mágico próximo de como Asgard é mostrada no filme
Erik – O Viking (de
Terry Jones – ex-
Monty Python.). Este efeito de sonho, trabalharia novamente no publico a dúvida sobre a sanidade do personagem. Acho este conceito bem mais interessante do que mostrar Asgard como algo real, na minha opinião o que permanece misterioso é sempre mais bacana... e isso liga mais o personagem ao fato de ele ser o novo messias. Nunca vimos o céu, ou Deus, nos filmes que mostram a história de Jesus, e isso sempre teve um efeito de elevar os conceitos de divindade e sagrado a outros patamares e não banalizaria toda esta idéia.
Acho que ter mostrado os vinkings e a origem divina de
Thor no segundo volume de
Ultimates, destruiu certos conceitos que
Mark Millar vinha trabalhando tão bem até então. Prefiro a brincadeira de nunca sabermos se ele é ou não o filho de Odin, seus fiéis são movidos pela mais pura fé.
PARTE 2Na minha opinião, a escolha de
Brad Pitt para o papel trabalha com certos aspectos psicológicos relacionados à recepção do personagem pelo público que assistirá ao filme.
Thor é uma celebridade... tão conhecida, influente e poderosa como o
Tony Stark de
Homem-de-Ferro, interpretado por
Robert Downey Jr. Todos sabemos que o sucesso de
Homem-de-Ferro é, em grande parte, creditado ao trabalho deste ator. E não só isso, ele encarna bem o conceito de
Tony Stark, como um bilionário playboy, genial e inconsequente, cá entre nós, papel feito na medida para
Robert Downey Jr. Já que é visto
assim. Quem melhor para encarnar
Tony Stark que alguém como
Tony Stark, alguém que já passou por todas as coisas que
Downey Jr. já fez sem interpretar nenhum personagem? Foi isso o que se ouviu quando
Robert Downey Jr. foi confirmado no papel. A idéia era fazer exatemente isso com
Pitt no papel de
Thor. O ator consagrado como uma divindade Hollywoodiana daria credibilidade ao papel de
Thor, uma divindade nórdica e dispensaria certas apresentações.
O que estão falando por aí, é que
Kenneth Branagh, o diretor escolhido para este filme, quer dar outro tratamento ao roteiro. Ainda não se sabe exatamente como será isso, alguns dizem que partes do roteiro original, baseado no
Thor da versão
Ultimate, ainda serão usadas, mas não se sabe quais seriam. Outros dizem que o filme se passará basicamente em
Asgard, como uma versão de
Senhor dos Anéis, terminando com
Thor sendo “jogado” na Terra para aprender humildade (já que em Asgard era orgulhoso e prepotente demais – como na série original).
Não gosto da idéia de fazer
Thor como uma espécie de ligação entre super-heróis e
Senhor dos Anéis, e conhecendo a fama de
Branagh e sua veia excessivamente dramática mostrada em suas versões de
Hamlet e
Frankeinstein, é esse lado meio emo e meio Enya que ele deverá explorar no personagem. Além disso, o que também dá um pouco de medo é o orçamento do filme, que não será suficiente para bancar um visual como este... pelo menos de uma maneira boa o suficiente quando as comparações de efeitos especiais entre
Thor e
Senhor dos Anéis começarem a rolar.
Este baixo orçamento explicaria também a escolha por um ator de menor salário, com o dinheiro sendo direcionado para os efeitos especiais ao invés de para o bolso de Brad Pitt.

Outro caso é o de que o roteiro de First Avenger: Captain America estaria centrado quase que inteiramente nos período da 2ª Guerra Mundial, indo até o herói ficando congelado no Ártico. Provavelmente, os produtores dos filmes da
Marvel gostariam de descongelar o
Capitão América nas primeiras sequências do filme Os Vingadores.
Então, teríamos
Thor quase todo passado em Asgard e First Avenger: Captain America quase todo passado na 2ª Guerra Mundial.
Se estes problemas de adaptação de roteiro, escolha de elenco, diretor, não fosse o suficiente, ainda nem começamos a falar de orçamento!
Pensando em como a
Marvel está direcionando seus projetos, de onde sairia dinheiro para bancar pelo menos esta lista de atores:
Robert Downey Jr.,
Edward Norton,
Willian Hurt,
Brad Pitt,
Matthew Mcnaughey,
Samuel L. Jackson,
Scarlett Johansson... e as possíveis participações de:
Gwyneth Paltrow,
Liv Tayler,
Natalie Portman,
Don Cheadle e
Cillian Murphy (no primeiro tratamento do filme,
Loki seria o vilão principal) no filme
Os Vingadores?
A resposta seria que a
Marvel teria ficado esperta pelo menos com seus elencos, e estaria fazendo contratos especiais com estes astros... estabelecendo uma espécie de sociedade com todos eles. Que tipo de contrato seria esse, ninguém sabe, já que dividir os lucros com todo esse pessoal já levaria uma grana impensável.
É claro que este contrato deve estar vinculado não só à bilheteria, mas também a lucros e acordos com empresas de
action figures (que vão usar a imagem dos atores), vídeo game, outros produtos associados como camisetas, bonés, contratos com cadeias de lanchonete, venda de DVDs, Blue Rays, venda para permissão de exibição em canais abertos e fechados de TV e por aí vai. A fonte de lucro de um projeto desses é ilimitada nos dias de hoje.
Nesse tipo de filme os produtores não podem se preocupar apenas com a folha de pagamento dos grandes astros, boa parte deste orçamento deve ser direcionada para a finalização em efeitos especiais... criar uma Asgard convincente não é muito barato e tão pouco simples. Não uma que esteja à altura das expectativas dos fãs.
Pelos boatos, a primeira parte do filme
Os Vingadores mostraria a captura do
Hulk pelos personagens de Samuel L. Jackson, Willian Hurt e os super-heróis
Homem-de-Ferro,
Thor,
Capitão América,
Viúva Negra e mais dois outros personagens, entre as opções estão
Gavião Arqueiro,
Vespa e
Gigante. Acho que será difícil uma participação dos personagens
Feiticeira Escarlate e
Mercúrio já que o conceito “mutante” está seguro pela Fox que tem muitos outros planos para as X-franquias. O roteiro mostraria uma batalha entre
Thor e
Hulk que já levaria boa parte deste orçamento.
De qualquer maneira, a
Marvel parece confiante demais.
Samuel L. Jackson provavelmente assinou um dos contratos mais “nonsense” que a indústria do cinema já viu... nove filmes! O que a
Marvel pretende fazer é algo realmente inédito no cinema: A criação de um universo... de uma cronologia envolvendo
cross-overs que realmente não foi vista no cinema. E é justamente este ponto histórico o que estaria atraindo todos estes astros, produtores e diretores.
PARTE 3Se realmente os novos boatos forem certeiros, acho os direcionamentos dos filmes
Capitão América e
Thor um pouco arriscados. Não sei que tipo de público estará interessado em ver um
Senhor dos Anéis misturado a super-herói, dirigido por um cara Shakespeariano demais... ou um filme de guerra misturado a super-heróis todo, praticamente, passado no passado. Não sei também como será feita a adequação de um personagem como
Thor a caras como
Tony Stark,
Bruce Banner, ou mesmo à tecnologia da
S.H.I.E.L.D... É claro que o fato de termos personagens tão diferentes pode ser justamente o trunfo desse projeto, mas acho muito complicado equalizar tudo isso... é uma chance em um milhão. Lembre-se que estes filmes não direcionados apenas para
fan-boys de quadrinhos. A chave está justamente nos filmes que estão vindo agora. O terreno tem que ser muito bem preparado para a chegada de
Os Vingadores, que via ser o desfecho de todos estes projetos.
Acho que
Marvel já deu um passo atrás nessa direção...
O Incrível Hulk (ou
Hulk 2), dirigido por
Louis Leterrier era um filme importantíssimo para todo este projeto.

Seu desempenho nas bilheterias não foi tão bom quanto o de
Homem-de-Ferro.
Basta olhar os números:
Homem-de-Ferro custou $140 milhões. Arrecadou nos EUA $318,412,101, e fora fez $263,618,427. No total, o filme contabilizou $582,030,528 apenas de bilheteria.
O
Incrível Hulk custou $150 milhões, nos EUA, só de bilheteria, rendeu $134,806,913. E fora rendeu $128,620,638. Somando $263, 427,551. O filme se pagou e deu um lucrinho... não é? O problema é que os produtores esperam o dobro disso.
Entre as paredes da
Marvel,
O Incrível Hulk foi considerado um fracasso, isso porque a expectativa de lucro para seus filmes parece ter inflado, graças à febre que as adaptações de quadrinho têm provocado e à popularidade de seus personagens principais. Filmes assim, se não chegam aos $400 milhões são considerados fracassos. Assim, um novo filme do
Hulk, antes da estréia de
Os Vingadores, foi descartada...

Um novo filme do
Hulk seria importante para a
Marvel. Assim como estão produzindo o novo
Homem-de-Ferro, eles já deveriam estar tocando a produção de um
Incrível Hulk 2 (ou 3 se contarmos com o filme de
Ang Lee). Seria importante dar seguimento à construção deste personagem e seu universo. Esta claro que este era o plano da produtora, já que trabalharam conceitos como a origem de um novo vilão (
O Lìder, apresentado no filme) e também uma nova postura de
Bruce Banner em relação ao monstro. É só ver o sorriso que ele esboça quando começa a se transformar voluntariamente em sua última cena no filme.

Um dado interessante, é que no DVD do filme, você pode assisti-lo ouvindo os comentários do diretor
Louis Leterrier e do ator
Tim Roth. E nesta cena, o diretor diz que haviam dois caminhos a serem seguidos pela
Marvel: O primeiro seria que
Banner/
Hulk seria o mocinho. O segundo que
Banner/
Hulk seria o vilão. Se a
Marvel optasse pelo caminho do “
Hulk camarada” haveria um outro filme do
Hulk, se eles optassem pelo caminho do “
Hulk malvado” não haveria um segundo filme... na verdade, o segundo filme do
Incrível Hulk seria
Vingadores.
Louis Leterrier termina seu comentário ironizando: “Advinha qual o caminho que a
Marvel optou?”.
Pelo que parece, eles juntaram o fato de a bilheteria de
O Incrível Hulk não ter sido o que os produtores desejavam a um direcionamento na construção deste universo
Marvel nas telonas:
Hulk poderá mesmo ser o vilão de
Os Vingadores.
Talvez a esperança da
Marvel seja que o filme dos
Vingadores possibilite outro filme do
Hulk na sequência, para que assim eles possam voltar a explorar o personagem e suas possibilidades.
A
Marvel não pode errar nessa. Imagine o montante absurdo de grana que estes caras movimentam em uma produção dessas? O nível de planejamento, não só de cada uma dessas produções, mas de mídia em termos de lançamento e trabalho da marca. E isso não envolve apenas um filme, mas vários, porque são
cross-overs. Todos com diretores diferentes. A visão geral de um projeto como esse, é claro, deve estar sob o controle de umas três ou quatro cabeças e tecnicamente de todos os outros diretores de cada um destes filmes. Mas acho interessante observar o desenrolar de todo este projeto. Começa agora o planejamento e a expectativa de sucesso de cada um destes filmes. Cada filme tem que fazer sucesso para possibilitar os próximos. Tem projeto para pelo menos nove filmes, isso são anos de trabalho já colocados no papel e investimento, uma decisão errada agora complica tudo.
Mais viagens nérdicas no próximo texto...
MARCELO CAMPOS